LEIA TAMBÉM

Governança Corporativa nos Clubes de Futebol

O surgimento da Governança Corporativa decorreu da insatisfação dos proprietários e administradores das maiores empresas americanas com as dificuldades encontradas para a superação de conflitos oriundos da segmentação entre a gestão e a propriedade empresarial. A cultura empresarial, até metade da década de 40, apresentava aspectos de gestão centralizadores, dificilmente existiam empresas que possuíam estrutura societária e administrativa complexa.

Com a expansão da economia americana e a entrada das empresas nas Bolsas de Valores após a Segunda Guerra, surgiram estruturas societárias, administrativas e organizacionais mais complexas. As relações de interesse, poder e hierarquia se alteraram, originando os conflitos mencionados no primeiro parágrafo.

Esses conflitos são chamados de conflitos de agência, aonde o interesse do proprietário da empresa pode diferir dos interesses dos administradores e executivos contratados por ele. Mas que tipos de interesses diferentes possam ter Proprietários, Sócios e Administradores dentro da mesma organização?

Maximizar os lucros a curto prazo pode ser mais interessante para os proprietários e acionistas do que para os administradores, que normalmente visam a construção da solidez empresarial a médio e longo prazo. Este é um dos exemplos de interesses conflituosos dentro da mesma empresa.

É importante ressaltar que só o alinho de interesses para o bem comum da empresa não elimina os conflitos, porém, permite a empresa executar ações em uma mesma direção estratégicaÉ imperioso que as ações de âmbito estratégico e também operacional sejam monitoradas, analisadas e discutidas pelos agentes envolvidos no processo organizacional, através de ferramentas proporcionadas pelo surgimento da Governança Corporativa.

As ferramentas mais comuns utilizadas pelas organizações para exercer o monitoramento das ações praticadas pelos envolvidos no processo são:

Criação do Conselho de Administração para servir de instrumento consultivo, autorizativo e fiscalizador da companhia, representando os acionistas perante a administração da empresa.

Criação do Conselho Fiscal com responsabilidade de, entre outras funções, fiscalizar o cumprimento dos deveres legais e estatutários da organização e analisar os demonstrativos contábeis produzidos pelos administradores.

Auditoria Independente com responsabilidade de auditar e emitir parecer sobre as demonstrações contábeis e práticas referentes á contabilidade da organização.

Em um clube de futebol as ferramentas de governança corporativa não diferem das demais organizações, porém, seu funcionamento ainda é muito mais incipiente que nas organizações empresariais. O que vemos atualmente no futebol brasileiro são conselhos de administração, conselhos fiscal e auditorias funcionando, não como instrumento isento de controle, e sim, como instrumento de cunho politico, servindo como sustentação para decisões administrativas carregadas de interesses eleitorais.

Não existem no futebol brasileiro membros de conselho de administração que atuam de forma independente, como nas organizações empresariais. Para se tornar membro de um conselho de administração de um clube, deve-se ter bagagem partidária, ou seja, estar inserido no processo eleitoral da instituição, não é nem mesmo necessário passar pelo processo de formação do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, órgão que trabalha fortemente para prover as melhores praticas de gestão nas empresas.

Não havendo premissas básicas para a formação de Conselhos de Administração que visem resguardar o clube de decisões errôneas, distantes do interesse da agremiação e próximas de interesses individuais, não é de se espantar que tenhamos demonstrações contábeis manipuladas, contratos não declarados e/ou mal elaborados. Assim como diversas outras ações perigosas para a saúde financeira do clube.

Hoje a Governança Corporativa nos clubes de futebol não existe de forma sólida e talvez nunca existirá. A tendência de profissionalização de áreas técnicas e administrativas pode ser um passo importante rumo as melhores praticas de gestão, porém, essa linha profissional talvez nunca chegue ao alto nível de gestão, que sempre será movido a ferramentas políticas, como toda a Associação Esportiva.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: