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Paulo André é um atleta diferenciado, dentro e fora do campo. Este depoimento que trazemos a baixo foi publicado pelo jogador após a conquista do Mundial de Clubes.

Percebe-se que ele toca em pontos chaves: Objetivos bem definidos, Planejamento, Gestão de Pessoas e Sinergia.

“Ou o ambiente está propício ou aquilo não se tornará um só’. (Paulo André)

A equipe não foi construída do dia para a noite e sua coesão surgiu muito mais das dificuldades vividas no ano de 2011 do que da escolha correta das peças do quebra-cabeça ou ainda, de um orientação genial por parte de alguém. O que quero dizer é que a construção daquele grupo não foi guiada (inicialmente), ela se fez necessária com a derrota para o Tolima.

Perdemos Ronaldo, Roberto Carlos, Jucilei, Dentinho e Bruno Cesar, praticamente 50% do time titular saiu. Se contarmos que William e Elias tinham tomado o mesmo caminho 1 mês antes, percebemos que 70% do time ficou diferente.

Nos primeiros jogos pós Tolima, o único sentimento em comum era o medo, a busca pela sobrevivência. E esse medo ou essa busca criaram a unidade. “Não podemos perder”, “Precisamos nos ajudar”, “Precisamos sair dessa situação”, “Não vamos tomar gol”. Esses eram os pensamentos, expressos em palavras ou em atitudes.

E à medida que as vitórias surgiam, o medo se transformou em confiança e a confiança passou a ser entendida como amizade e cumplicidade. Pessoas que sofreram juntas resolveram continuar juntas depois que a tempestade passou.

Tínhamos um time que não perdia, mas ainda não tínhamos um time que ganhava. E a partir daí é que entra o dedo do treinador, especialmente quando o assunto é gestão de pessoas. Antever situações de risco ou de oportunidade e apontá-las de forma eficaz fizeram com que o grupo confiasse em seu comandante.

Preparar ou condicionar atletas, comissão e funcionários do clube para que enxergassem os objetivos e as metas foi o segundo passo. Tratar cada um como peça importante e fundamental do todo e tratar o todo como o bem maior, primordial e responsável por ditar as regras individuais e do conjunto foi o terceiro e principal ponto.

Falando ainda da importância do líder no processo – Tite nos alertou sobre eventuais perigos internos e externos, não só dentro de campo, como fora dele, além dos aspectos psicológicos – relaxamento, vaidade, concentração, intensidade nos treinamentos, competição interna e justa pela posição, humildade, ambição, etc. Também não deixou de reconhecer e parabenizar e/ou pontuar questões importantes e feitos conquistados por todos os que vivem o dia dia do clube (faxineiro, roupeiro, massagista, fisioterapeuta, etc.). Sempre cobrou a todos de forma clara – tendo uma linha ideológica transparente – respeitando a individualidade e os defeitos de cada um, e jamais abriu mão de tomar decisões para o bem do grupo.

Para finalizar, após 1 ano e meio de convivência em condições favoráveis (citadas acima), o grupo passou a ser um organismo vivo, extremamente consciente das necessidades para manter o nível de atuação, de competitividade e de exigência. Parecia que conhecíamos a receita para vencer e o nosso comandante não permitia que nos esquecêssemos disso. Estimou a sede por títulos, a vontade de ficar marcada na história e a alegria por fazer parte daquele grupo.

Jogadores como Ralf e Paulinho que rejeitaram propostas diversas vezes (e por isso foram agraciados financeiramente pela diretoria) também ajudaram a mostrar a importância do grupo, a confiança dos principais jogadores no projeto, e a necessidade de manutenção da estrutura da equipe. Outros jogadores, não tão importantes estruturalmente falando (no contexto de jogo da equipe) foram liberados e negociados quando a oportunidade surgiu. Méritos da diretoria que soube identificar pontos fracos no elenco e soube substitui-los com antecedência para que os novos contratados tivessem tempo de se adaptar à cultura vigente no clube.

A maior preocupação da diretoria foi manter a saúde no vestiário para combater os problemas (que inevitavelmente surgem). Os dirigentes e executivos se mantiveram próximos e sempre ao lado dos atletas, pois conheciam bem sua espinha dorsal e sabiam que podiam confiar neles enquanto profissionais dedicados e focados no bem maior. Conversavam e buscavam informações sempre que necessário, resolviam rapidamente e de forma clara qualquer situação adversa que pudesse vir a incomodar o bom ambiente. Em casos extremos, os jogadores chaves eram chamados para resolverem as questões diretamente com este ou aquele jogador que estava destoando dos demais.

A blindagem às provocações da mídia e da torcida também foram importantes em momentos específicos, tanto bons quanto ruins. A diretoria tem mérito nisso.

A torcida deu um ar mágico ao momento. Era inacreditável o que víamos nos aeroportos, nas ruas, nos treinamentos. E a sensação era de que eles só queriam que representássemos o Corinthians com o devido respeito e grandeza. Queriam que entendêssemos que aquilo não era um jogo de futebol, mas a razão de vida de cada um daquelas pessoas.

Outros aspectos relevantes para a manutenção e sustentabilidade da alta performance foi a necessidade de se descobrir novos desafios, novos interesses em comum e jamais desmanchar a espinha dorsal de sua equipe. Antever e se preparar para momentos de alta e de baixa, de forma individual e coletiva permite mais estabilidade a todos.

E finalmente, é preciso ter o norte definido e permitir que a nau varie com os ventos. Isto é fundamental. Ou se tem convicção no que se está fazendo ou se perde a confiança dos liderados do dia para a noite.

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