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CEOs do Futebol Brasileiro não Têm Autonomia e Autoridade como nas Empresas

A estrutura organizacional dos clubes do futebol brasileiro é extremamente amadora e recheada de cargos políticos ocupados por pessoas que muitas vezes nunca atuaram profissionalmente na área relativa a função que exerce dentro do clube e mesmo assim são responsáveis pela definição das estratégias e ações da instituição. O cargo máximo é o de Presidente, que exerce função política, sendo responsável por nomear os Vice-Presidentes, que juntamente com ele são as pessoas que determinam o caminho que o clube seguirá.

As pessoas que ocupam cargos de alto escalão dentro dos clubes brasileiros são eleitas através de um sistema eleitoral que apresenta as mesmas características encontradas na politica partidária brasileira. Esse sistema é democrático, aparentemente não há o que questionar quanto a isso, o processo eleitoral é acompanhado por todos os envolvidos e passível de fiscalização e auditoria.

Até que provem ao contrário, as eleições dentro de clubes de futebol respeitam a democracia. O problema é que o processo eleitoral cria condições para que haja, assim como na política partidária, cargos distribuídos para pessoas sem capacidade de ocupá-los mas que por algum motivo são vistos como importantes dentro do sistema político. 

Atualmente, o espaço para executivos profissionais dentro do futebol está crescendo. Já é possível observar uma mudança dentro dos clubes, sendo mais comum , um profissional de finanças ser o responsável pela parte financeira, um profissional de marketing elaborar e executar o plano de marketing, a gestão de pessoas ficar a cargo de um profissional especializado em recursos humanos e um CEO atuar diretamente no clube.

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A mudança partindo para um viés mais profissional ainda é incipiente no futebol e por isso gera alguns erros de conceitos e propósitos dos cargos e funções estabelecidas,  o cargo de CEO é um exemplo disso. CEO é a sigla para a expressão em inglês Chief Executive Officer e representa o cargo máximo de um empresa, sendo responsável por traçar as estratégias e criar condições para que a operação aconteça de maneira que maximize os resultados e que seja alinhada com o planejamento estratégico da organização, liderando todas as áreas e se reportando apenas ao Conselho de Administração da empresa.

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O CEO dentro de uma empresa tem papel chave em todas as questões, inclusive na operação. Evidente que não participa de todas as decisões do dia-dia da operação, porém estrategicamente é decisivo e lidera a organização na busca dos objetivos traçados. Na última década, os clubes brasileiros descobriram que o termo CEO transmite uma imagem para o torcedor e para a mídia de gestão moderna e atualizada, porém parecem não saber e consequentemente não utilizar a nomenclatura do cargo e o próprio cargo de maneira correta. 

No futebol brasileiro o CEO não participa decisivamente da operação do futebol, não é responsável por definir perfil de jogadores, peças chaves na comissão técnica ou na gerência e supervisão do futebol, ou seja, não é responsável por nada que acontece relativo ao carro chefe de um clube de futebol. Ele apenas é responsável pela parte administrativa e financeira do clube e muitas vezes sem autonomia e autoridade para vetar alguma decisão temerária dos diretores de futebol, ou seja, ele funciona como um cargo de apoio que diz se o clube tem dinheiro para realizar o que é proposto pelo departamento de futebol e que procura a melhor forma para viabilizar financeiramente o que é determinado. Esse cargo nas grandes empresas é chamado de CFO, sigla em inglês que significa Chief Financial Officer e é responsável pela parte financeira e tesouraria da empresa.

Em grandes empresas o CEO participa e tem responsabilidade sobre todas as áreas, sendo ele o avalista máximo dos resultados da instituição. No futebol brasileiro essa responsabilidade é toda dos presidentes e vice-presidentes, os verdadeiros CEOs do Futebol que mandam e desmandam nos clubes do país de forma amadora.

Portanto torcedor, não se iluda quando seu clube anunciar a contratação de um CEO. Ele provavelmente vai exercer uma função de apoio, deverá trazer organização na parte financeira e administrativa do clube, porém não terá autonomia e autoridade para definir uma mudança radical ao encontro de um futuro sólido e responsável para o seu clube.

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