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RODRIGÃO – ATACANTE – CAMPINENSE

O jogador analisado de hoje é o artilheiro do Brasil em 2016. Trata-se de Rodrigão, centroavante de 22 anos (nascido em 1993),jogador do Campinense.

Rodrigão - Perfil

Rodrigão iniciou a carreira em Minas Gerais, primeiro no Democrata e depois no Boa Esporte. Chegou ao Campinense em 2015 e foi um dos destaques do time no ano passado. O 2016 de início meteórico despertou o interesse do Santos, que já acertou a compra do jovem centroavante junto ao clube paraibano. Rodrigão se apresentará na Vila Belmiro no segundo semestre.

Rodrigão - POSICIONAMENTO

Trata-se de um jogador que atua na última linha do time em posição centralizada. É um atacante com características de maior fixidade , mas que pode atuar ao lado de um companheiro realizando deslocamentos horizontais e verticais para participar com razoabilidade da construção ofensiva.

Rodrigão - Mapa de Calor

Mapa de atuação ———->

FASE OFENSIVA

É um jogador de boa inteligência tática, que ajuda em diversos contextos estratégicos da equipe. Muito procurado para retenção de bola no campo de ataque, recebendo bola longa para reter, temporizar para esperar subida de bloco e projeção de companheiros no ponto futuro. Também costuma chamar a falta para que o time possa finalizar a fase de transição ofensiva e iniciar fase de ataque organizado, avançando muitos metros do campo e jogando na intermediária defensiva adversária.

Faz bem o trabalho de pivô e o realiza com inteligência, tocando bem de primeira quando um companheiro conduz vindo de trás e dá o passe entrelinha procurando deslocamento curto de Rodrigão para parede e já se projetando pra receber na frente posteriormente (jogada de 1-2).

Costuma balançar ofensivamente para o lado da bola, formando pequena sociedade e dando linha de passe nos momentos de cobrança de lateral, geralmente sendo o jogador acionado pelo cobrador e quando recebe de costas para a marcação, ajuda a dar continuidade à circulação da posse pelo segundo terço do campo, tocando curto, pausando e dando opção.

Na grande maioria das vezes, é o alvo da primeira bola quando o Campinense busca uma transição mais direta/longa, recuando pra disputar com um volante ou zagueiro adversário atraído na caça, enquanto que geralmente dois jogadores já ficam projetados mais à frente esperando a escorada/casquinha e dois ou três projetados para brigar pela segunda bola caso Rodrigão não consiga a vitória no duelo aéreo.

Foto 2

Na imagem acima, o Campinense tem cobrança de lateral em campo defensivo e o cobrador acaba optando por um arremesso mais longo, procurando a parede de Rodrigão para retenção no início do segundo terço do campo. Na situação, defesa adversária subindo a linha e Rodrigão balançando pro lado esquerdo, sendo acompanhando por um dos zagueiros adversários neste seu movimento horizontal curto.

Foto 3

Acima vemos o Campinense já em momento possessivo no campo adversário pelo lado direito do ataque. Rodrigão novamente está sendo procurado numa cobrança de lateral. Recebe de costas, temporiza, busca companheiros mais atrás para que a bola continue rodando em campo ofensivo e atrai o lateral do setor, enquanto que o winger direito do Campinense busca projeção nas costas do mesmo, atraindo o zagueiro daquele lado.

Foto 4

Na imagem acima, Rodrigão disputa a primeira bola com um zagueiro adversário, tirando-o da linha, enquanto que dois jogadores ficam mais à frente esperando para possível progressão visando chegada no último terço caso o centroavante consiga escorar de cabeça.

Foto 5

Acima vemos Rodrigão disputar pelo alto com o volante entrelinhas adversário, enquanto que dois jogadores mais à frente tentam aproveitar a escorada em movimento visando recepção em profundidade rompendo a linha defensiva no último terço.

Apesar de buscar apoios para dar sustentação à posse da equipe em ataque organizado, Rodrigão joga boa parte do tempo prendendo a linha defensiva adversária ou no limite da mesma, proporcionando profundidade ao sistema ofensivo da Raposa de Campina Grande.

Seus deslocamentos e movimentos geralmente são de curta ou média distância. Não é um jogador de percorrer longas distâncias para participar da posse em zonas próximas às iniciais de construção e em seus movimentos de apoio para manutenção de posse, quase sempre recebe de costas.

O novo centroavante do Santos costuma tocar na bola em posição frontal nas situações em que sai pros lados e consegue receber com corpo projetado para buscar o 1×1 em área de maior amplitude. Também realiza movimentos em diagonal curta para ruptura da última linha adversária, mesmo que às vezes não fique a poucos metros de fazer o gol como a maioria dos homens de linha mais avançada objetivam com esse movimento. Quando recebe em situações confortáveis/produtivas de enfrentamento no terço final e quando olha o jogo “de frente” pelos lados, geralmente já consegue encontrar dois ou três jogadores chegando e entrando em potencial zona conclusiva.

Rodrigão apresenta um nível de velocidade razoável pra bom, nível de força interessante, boa explosão em espaço curto e boa capacidade de resolução de 1×1 ofensivo em determinados contextos. Trata-se de um centroavante que apresenta bons dribles curtos, porém, utilizando-os melhor em situação de proteção e progressão para continuidade da ação ofensiva do que para definição em zona decisiva.

Foto 6

No frame acima, Rodrigão se posiciona na linha defensiva adversária, atraindo um dos zagueiros e posteriormente, buscando movimento para receber em profundidade, fazendo a diagonal curta no vão entre o zagueiro e o lateral-direito

Foto 8

Acima vemos Rodrigão participar da posse pelo lado direito do ataque fazendo pivô curto e à medida que o jogo vai saindo do lado para o meio e a linha defensiva adversária é balançada, ele age inteligentemente entrando no facão às costas da defesa, recebendo na área, enquanto que dois jogadores chegam na área para ser opção de conclusão juntamente com o ponta do lado oposto.

Foto 9

No frame, Rodrigão sai dos zagueiros em curto deslocamento horizontal e busca diagonal entre o zagueiro e o lateral-direito para recepção em profundidade, recebendo em situação de confronto próximo à grande área adversária.

Nas situações em que se posiciona para recepção de cruzamento na área, costuma movimentar-se com facilidade, rapidez e inteligência nos espaços entre os defensores para concluir. Também costuma aparecer bem para a conclusão em lances de bola parada, cabeceando e/ou dando o último toque.

Foto 10

Na imagem acima temos uma situação em que o Campinense ataca pela direita. Lateral-esquerdo adversário sai naturalmente para o primeiro combate no setor. O lateral do lado oposto não fechou na linha e o adversário tentou compensar isso com um dos membros da linha média atentando para a cobertura imediata do lateral esquerdo caso o mesmo fosse superado na batalha pessoal, mantendo os dois zagueiros na área. Um jogador do Campinense entra na área atraindo o zagueiro do lado da bola e no momento do cruzamento, Rodrigão consegue fugir do zagueiro do lado oposto, aparecendo livre para marcar.

Na transição ofensiva faz muito bem o pivô curto no 1-2, como já citado anteriormente. Tem produtividade no momento transicional quando consegue girar e pegar de frente para puxar, eliminando adversários por meio da jogada pessoal. Também costuma procurar infiltrações/ultrapassagens de companheiros mais à frente. Por vezes, busca o deslocamento diagonal centro-lado para recepção em situação de enfrentamento e/ou projeta potencial recepção em profundidade no ponto futuro.

Fora da área de finalização pelo centro, Rodrigão consegue participar das ações do Campinense com razoável efetividade. É um jogador que tem bom entendimento tático e situacional.

Foto 17

Acima vemos Rodrigão receber no início da construção, eliminar um rival por meio do drible curto e já procurar a movimentação de companheiros para a recepção visando progressão na transição ofensiva no segundo terço.

Foto 18

No frame acima, Rodrigão arranca de frente pra marcação com bola dominada, dribla, desestrutura o sistema defensivo adversário e aciona o movimento de ruptura do companheiro. Linha defensiva adversária alta e fragilizada dentro do contexto da jogada.

FASE DEFENSIVA

Sem a bola, Rodrigão é o homem mais avançado do 4-1-4-1 formado defensivamente pelos comandados de Francisco Diá (curiosamente, prefere se referir ao sistema tático do Campinense como “losango maior”). Pelo fato da proposta defensiva do Campinense ser de marcar mais intensamente em bloco baixo, Rodrigão não é tão ativado para momentos de pressão à saída de bola adversária, muitas vezes até dando espaço para progressão dos zagueiros adversários com bola dominada e ficando mais próximo dos volantes adversários nas horais iniciais de construção ofensiva adversária.

De acordo com a progressão adversária, Rodrigão geralmente fica mais à frente, junto aos zagueiros adversários, alongando a compactação defensiva da equipe e muitas vezes já projetando pra receber a bola longa/”quebrada” logo após a recuperação da mesma. Apesar de exercer marcação pouco agressiva em campo defensivo adversário, mostra boa combatividade nos raros momentos em que tenta apertar um zagueiro para abafar a saída ou quando persegue um zagueiro adversário em situação de condução do mesmo na tentativa de atrair combate para provocar desequilíbrios ou encontrar companheiros livres.

Foto 19

Na imagem acima, percebemos o Campinense defendendo no 4-1-4-1, com linhas mais abaixadas/recolhidas e postado com 9 jogadores atrás da linha que divide o gramado, enquanto que Rodrigão alonga a compactação do time, ficando mais à frente da linha média.

Apesar de jogar mais “isolado”, à frente de uma linha de meio, tende a ter adaptação boa para jogar ao lado de outro atacante em plataformas como 4-4-2 em linhas, 4-3-1-2 e afins. Por características técnico-táticas, é um centroavante que arrisca pouco de médias/longas distâncias e que precisa aprimorar alguns fundamentos, porém, tem um potencial de crescimento para rendimento em alto nível competitivo.

Rodrigão é um jogador razoável tecnicamente e foi uma sacada bem criativa/alternativa da diretoria do Santos para este contexto de mercado. Tecnicamente e taticamente, se assemelha mais ao estilo de Ricardo Oliveira do que a outra opção santista, Joel.

Demonstra que tem boa possibilidade de ser o seu substituto imediato do titular santista, dentro do contexto de elenco atual do Peixe. Se tiver a cabeça no lugar e manter crescente evolução, pode atingir um bom nível na carreira. Atleta de muito conteúdo tático e bastante útil tanto para modelos mais controladores e possessivos, quanto para modelos mais reativos e transicionais.

Autor: João Elias Cruz

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