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Reflexão sobre o Objetivo das Categorias de Base no Brasil

Todos os anos, em qualquer clube do futebol brasileiro que esteja passando por um período eleitoral, vemos promessas de adoção de modelos de gestão que dão ênfase as categorias de base.

“Criaremos condições aos atletas da base”,

“Adequaremos nossas instalações para que sejamos reconhecidos com um clube formador”

“Nossa categoria de base se tornará referência em formação”

Declarações como essas trazem esperanças aos sócios dos clubes e ao mercado como um todo. Qual sócio não gostaria de ver seu clube sendo realmente formador de talentos em escala?

Formar um atleta em condições de introdução em mercados com maior circulação de dinheiro do que o mercado em que o clube se encontra não é tarefa das mais complicadas. Para que isso ocorra basta criar uma estrutura rasa que possibilite o jovem aprender, praticar e atuar por alguns anos, até que desenvolva qualidades e condições favoráveis para integrar o elenco profissional.

Sabemos que no Brasil existem clubes que não possuem condições de oferecer uma formação completa para os jovens jogadores e têm como estratégia desenvolver o máximo de um atleta, até certo ponto suficiente para conseguir vendê-lo para algum mercado comprador. A preocupação e a pressa em formar um jogador com as mínimas condições técnicas, físicas e táticas, para ser usado como “cheque pagador” de projetos do clube, estão reduzindo a qualidade do nosso jovem atleta.

Uma formação de qualidade contempla primeiramente a avaliação do potencial futuro do jovem. Milhares de crianças desejam jogar futebol profissionalmente, mas a grande maioria talvez não tenha talento para isso e, se possuírem qualidades para tanto, talvez não resistam a algumas exigências que uma criança e adolescente é submetida no processo de formação até o nível profissional.

Identificado o talento em potencial, é necessário criar condições para que o jovem entusiasta do futebol se torne um profissional, fazendo com que ele tenha diversas etapas de aprendizado assistidas por profissionais qualificados e preparados. Uma estrutura física capaz de impulsionar o desenvolvimento técnico do jovem é necessária. E aliada ao acompanhamento psicológico, tornam-se pontos chaves da formação de qualquer atleta.

O nível dessa formação de base é condição chave para definir o tipo de atleta que teremos no mercado do futebol. Não podemos considerar aqui aqueles profissionais que são exceções, ou seja, grandes talentos que chegaram a nível máximo de qualidade mesmo sem contar com estrutura de base adequada.

Os clubes que são destino dos atletas formados para o mercado são dos mais variados portes e condições financeiras. Diante disso, são formados nas categorias de base jogadores para todos os níveis de clubes. Tendo como base as declarações não tão hipotéticas referidas no começo do texto sobre a adoção de estratégias que fortaleçam as categorias de base dos clubes, fica a pergunta:

É importante para o sócio/torcedor de um clube formar um jogador e não ver esse jogador rendendo frutos dentro do campo para o clube?

O desafio de aproveitar o que é feito em casa.

Acredito firmemente que formar um jogador e vendê-lo sem o utilizar por tempo razoável e sem criar condições para que possa ter papel preponderante, em questão de resultados dentro do campo no futebol profissional, é importante apenas mercadologicamente e financeiramente, Entretanto, apenas em curto prazo.

Ser reconhecido como um clube com boas categorias de base é mais do que formar atletas para o mercado. O desafio é formar atletas para o próprio clube e obter resultados através desses jovens.

Montagem de Elencos utilizando as Categorias de Base

É quase impossível um clube ter 100% de jogadores oriundos das suas categorias de base. O mercado de transações de jogadores está permanentemente em movimento e a rotatividade de atletas é alta. Desse modo sempre vai haver necessidades de contratações de jogadores de outros clubes.

O que sugerirmos neste artigo é uma reflexão sobre a importância das categorias de base como ferramenta para montar elencos na categoria profissional. Uma montagem de elenco deve começar pela análise do plantel de jogadores atual, profissional e aspirante. Ninguém mais capacitado para isso do que o corpo técnico e diretivo do clube.

Identificadas as condições atuais do plantel, parte-se para a busca por jogadores dentro de um orçamento estabelecido, que supram alguma eventual necessidade encontrada. Jogadores advindos das categorias de base normalmente recebem menos do que um jogador vindo de outro clube. Essa é a lei de mercado. Tirar uma pessoa de um posto de trabalho inevitavelmente requer um desembolso financeiro maior do que promover um funcionário internamente.

É nessa promoção que pode-se colher os frutos de um processo de formação de base adequada. Em qualquer empresa que adote as melhores práticas de gestão, vemos uma preocupação com o desenvolvimento interno. Essa preocupação não é por capricho ou motivada por um sentimento puro de assistencialismo com o funcionário. Ela vem da necessidade de redução de custos e da vontade de obter resultados iguais ou melhores com níveis menores de recursos.

Reter o funcionário qualificado é importante, porém em caso de não êxito diante de uma vontade pessoal do funcionário de conquistar novos objetivos, a empresa deve ter “backup” em casa. Pensando nas realidades dos clubes, a pergunta que fica é:

Será que não é possível obter resultados investindo menos em remunerações para atletas oriundos do mercado e mais com atletas formados no próprio clube?

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