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RAMÍREZ – LATERAL ESQUERDO – FERENCVÁROS

O jogador analisado de hoje é o lateral-esquerdo equatoriano Cristian Ramírez, de 21 anos(nascido em 1994), atleta do Ferencváros da Hungria.

Foto

CARREIRA

Iniciou a carreira no Independiente Del Valle e teve passagens pela seleções sub-17, sub-20 e principal do Equador. Atualmente, defende o Ferencvaros, maior clube da Hungria, emprestado pelo Fortuna Dusseldorf, clube que o adquiriu em 2012 e chegou a emprestá-lo ao Nuremberg em 2014, antes de emprestá-lo ao Ferencváros.

POSICIONAMENTO

Trata-se de um lateral-esquerdo ambidestro, podendo atuar pela lateral-direita tranquilamente na linha defensiva e por ser de tendências ofensivas e ter boa agressividade, também tem a flexibilidade para atuar mais à frente, como winger esquerdo, compondo a linha média da equipe.

ASPECTOS FÍSICOS

No tocante às qualidades físicas, tem boa velocidade tanto para projeção sem bola quanto para progressão com bola dominada, bom nível de força/massa muscular para duelos corporais, usa bem o jogo de corpo e é bem combativo.

FASE DEFENSIVA

Ramírez tem aproveitamento médio de 57% de vitórias nas disputas de bola e apesar da baixa estatura, é razoavelmente bom no jogo aéreo defensivo. Demonstra boa impulsão, tempo de bola razoável, muitas vezes  não partindo diretamente de forma mais agressiva/intensa para o combate por cima, esperando o erro adversário ao saltar para a primeira bola para só então, afastar ou aliviar. Nessas situações de duelos aéreos, apresenta 54% de aproveitamento.

Consegue se sair bem nas situações de 1×1 defensivo pelos lados do campo quando postado na linha em situações que o jogador adversário recebe de frente com corpo projetado para partir pro confronto. Dessa forma, fechando bem o corredor, indo bem no bote para desarmar por baixo e usando bem o corpo para proteger e impedir progressão/vitória pessoal do oponente.

Ramírez também gosta de sair em caças setoriais curtas pelos lados do campo para pressionar o ponta quando o mesmo recua para oferecer linha de passe e receber de costas, buscando fechar bem os espaços para possível giro/progressão adversária. Apesar da agressividade nesses duelos defensivos, muitas vezes acaba sendo afobado e apresenta certa fragilidade quando é muito direto, principalmente nas situações que o ponta adversário trabalha com corte curto de fora pra dentro, em cima da perna teoricamente mais fraca de Cristian Ramírez (apesar do mesmo ser ambidestro).

Os problemas defensivos do equatoriano  relacionam-se mais a questões de posicionamento e atitude do que técnicas ou físicas, apesar de alguns eventuais erros técnicos individuais na linha. Erros esses ocasionados pela demora em fechar na linha em situações de transição defensiva (troca de ação lenta), fazendo com que demore para fechar na cobertura por dentro no movimento de basculação defensiva.

Em parte considerável dessas situações, o mesmo saiu para caça curta ao ponta adversário ou estava tendo o mesmo como referência de marcação em determinado contexto. Dessa forma, Ramírez acaba cedendo constantemente diagonais para facões e infiltrações de jogadores adversários às suas costas e no espaço entre ele e os zagueiros da equipe.

Apesar de, em várias situações, salvar a equipe por meio de alívio/retirada de bola quando é o último homem da linha defensiva, Ramírez precisa melhorar o comportamento defensivo e a velocidade de reação a determinados contextos. Seus atrasos em movimentos e inércia em algumas situações acabam prejudicando aspectos estruturais do sistema defensivo da equipe e/ou colocando o time em riscos, tanto em fase de defesa organizada quanto de transição ataque-defesa.

FASE OFENSIVA

Ofensivamente, busca ter influência/presença no último terço do campo, procurando projeções sem bola no corredor para dar amplitude ao ataque até mesmo em situações na qual a circulação da pelota ocorre pelo centro ou a partir do lado oposto. Em algumas situações, Ramírez assume um posicionamento mais contido e próximo à linha para manter a proporção/equilíbrio no balanço defensivo. Entretanto, projeta-se metros à frente conforme o jogo vai girando e o lado forte do ataque organizado sendo trocado

É comum Ramírez realizar rupturas curtas em diagonal, buscar espaços entre defensores e ultrapassagens para recepção em profundidade, geralmente direcionada à linha de fundo para posteriormente procurar companheiros chegando em zona conclusiva. O jovem equatoriano tem inteligência para ler/notar os espaços do campo e bom “time” de infiltração/projeção nos mesmos, recebendo em condições interessantes na maioria das vezes.

Também costuma realizar boas tabelas, tocando e passando e se projetando em espaço futuro. É bastante acionado para troca de lado, aparecendo no lado oposto como opção para desafogo.

Ramírez também é utilizado para acelerar o ritmo de jogo, retirar a linha defensiva da zona de pressão e/ou mudança de direção da fase de ataque organizado. Entretanto busca muito essas aparições vindo de trás e descendo pelo corredor em contextos de transição ofensiva, onde por meio da progressão com bola dominada, faz o time avançar alguns importantes metros do campo. Desse modo, podendo acelerar para buscar avanço/conclusão da jogada ou “frear” para esperar a subida do bloco e circular posse em ataque organizado.

Por ser ambidestro, consegue desenvolver bem o jogo com as duas pernas, mudando de direção com mais rapidez e facilidade e utilizando disso para ter maior capacidade de improviso nas situações de 1×1 ofensivo. Situações nas quais busca desenrolar mais na base da habilidade do que na força e velocidade/passada larga, em regra geral.

Ramírez trabalha bem com dribles curtos, faz boas incursões de fora pra dentro com bola dominada, sabe “pisar” no tempo certo para pausar um pouco o ritmo quando não consegue acelerar para driblar progressivamente no confronto e sabe buscar as linhas de passe próximas para dar continuidade à circulação nesses momentos. Apresenta boa qualidade técnica com a bola no pé, tendo 59% de aproveitamento nas tentativas de drible e 82% nos passes, sendo a maioria desses passes mais curtos e organizacionais.

Nos pequenos resumos/análises feitos em vídeo abaixo, observa-se um pouco dos comportamentos apresentados por Cristian Ramírez nos momentos de movimentação sem bola em ataque organizado, 1×1 ofensivo no corredor e chegadas na transição defesa-ataque:

Ramírez é um jogador jovem, com bom potencial de crescimento e seria bastante útil para a maioria dos clubes brasileiros atualmente. De fato, tem condições de jogar um futebol de bom nível em clubes de cenário mais competitivo na Europa a médio/longo prazo. Possui qualidades bem interessantes e não muito comuns, mas também defeitos que precisam ser trabalhados intensamente para que sejam corrigidos.

Trata-se de um bom jogador, que com certeza deveria estar sendo chamado com mais freqüência para a seleção equatoriana pela boa temporada que vem fazendo no futebol húngaro. Entretanto precisa aprimorar o psicológico (costuma errar constantemente nas tomadas de decisão em determinados contextos de jogo) e algumas situações para que consiga render em alto nível num futuro não muito distante.

Autor: João Elias Cruz

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