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Análise Tática – Santa Cruz 4×1 Vitória – Campeonato Brasileiro 2016

Depois de uma péssima atuação e empate sem gols no meio de semana diante da Portuguesa pela Copa do Brasil, o Vitória fez sua estreia no campeonato Brasileiro da série A 2016 contra o Santa Cruz no Arruda. Novamente a equipe não conseguiu atuar de forma razoável.

O técnico Vagner Mancini viu as deficiência da equipe no duelo contra a Lusa e tentou arruma-la. A ideia de jogo foi boa, algo semelhante com o que esse colunista havia dito que faria. Entretanto, o gol do Santa Cruz acabou tirando o foco dos jogadores e fez com que a estratégia montada fosse por água abaixo, resultando numa goleada de 4 x 1 para o time pernambucano.

Um dos grandes defeitos do Vitória vinha sendo o espaço deixado pela equipe no momento defensivo. Sabíamos que um adversário mais qualificado iria aproveita-los. Para tentar corrigir o erro, Mancini saiu do 4-2-1-3 e voltou para o 4-1-4-1 utilizado na série B e sugerido por mim em outras colunas.

Na imagem, o 4-1-4-1 do Vitória. Notem a segunda linha avançada, inciando a marcação no campo de ataque, isso dificultou a saída de bola do Santa Cruz pelos volantes e pelas laterais.

Santa Cruz x Vitória foto 1 ok

Outra mudança de Mancini foi em relação a extrema direita. Ainda sem poder contar com Marinho, o técnico optou pela entrada de Tiago Real (meia), ao invés de um extremo mais agudo como David, por exemplo.

A ideia de Mancini era ter um número maior de jogadores no meio campo e consequentemente domínio naquele setor. A estratégia vinha dando certo, pois o Vitória era superior e tinha maior posse de bola, entretanto faltava criar chance reais de gol. Essa chance até apareceu, mas foi desperdiçada por Leandro Domingues.

A entrada de Tiago Real no time deu uma maior compactação ao meio campo. O jogador tinha a liberdade para buscar o centro para ajudar na criação, algo parecido com a função de Jadson no 4-1-4-1 do Corinthians campeão Brasileiro de 2015.

O fato de Real ir ao centro tentar criar, consequentemente abre o corredor para o avanço do lateral, mas o Vitória não possui um lateral direito que apoie. Welison vem se esforçando para ajudar, faz boas partidas no Campeonato Baiano, mas agora o nível dos adversário é outro e para o coletivo funcionar, todas as peças da engrenagem precisarão funcionar.

O primeiro gol do Santa Cruz saiu num vacilo do sistema defensivo, que culminou na falha dos zagueiros.

Santa Cruz x Vitória foto 2 ok

Vários erros no sistema defensivo do Vitória aparecerem nessa imagem:

Primeiro: Jogador do Santa tem a bola já no campo defensivo do Vitória e não recebe pressão. Amaral e L. Domingues marcam de longe, o que da visão e tempo necessário para o adversário enxergar e executar a melhor jogada.

Segundo: A equipe está mal postada defensivamente. O 4-1-4-1 não existe neste momento.

Terceiro: Notem como um jogador (círculo amarelo) se movimenta no espaço vazio (opção de passe) atraindo a marcação de Victor Ramos que deixa a primeira linha para tentar evitar que o adversário receba a bola sozinho.

Quarto: A falta de voluntariedade ou de comprometimento de Vander deixa um espaço vazio no setor esquerdo. Vejam como a ocupação de espaço faz toda a diferença. Se Vander estivesse posicionado mais ou menos onde sinalizado, estaria fechando o espaço para progressão do adversário perto de Marcelo. Esse por sua vez estaria fechando o espaço do jogador que se deslocou no espaço vazio, com isso, Victor Ramos não teria que sair da primeira linha…  Ou seja, um erro vai desencadeando outro.

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Agora imaginemos que o Vitória estivesse postado no 4-1-4-1 no momento da jogada que gerou o gol do Santa Cruz:

As linhas amarelas marcam o posicionamento dos jogadores. Notem que o Vitória teria os 11 jogadores atrás da linha da bola. Provavelmente, Kieza estaria dando pressão no portador da bola, a segunda linha estaria bem postada e fechando os espaços, com Amaral ou Marcelo entre as linhas, não deixando espaço para a movimentação do adversário pelo centro… Com certeza, teria dificultado ou, provavelmente, evitado o gol adversário.

Mancini precisa contar com jogadores comprometidos. Não da pra ter um Vander em campo que pouco ajuda na transição defensiva. Os jogadores precisam ter a consciência que ao perder a bola, a equipe deve buscar o mais rápido possível a recomposição. Um sistema defensivo bagunçado, como nas imagens, torna-se uma presa fácil na Série A.

A falha coletiva acabou com os planos do Vitória no jogo. Estando atrás do placar, precisou se expor para tentar empatar a partida. Tudo que o Santa Cruz queria para atrair o rubro-negro para seu campo e explorar o contra golpe com o velocista Keno.

O segundo gol do Santa Cruz nasce de um contra-ataque.

Santa Cruz x Vitória foto 4

Leandro Domingues é o jogador mais próximo de Keno quando o mesmo carrega a bola um pouco após o meio campo. Domingues acompanha de longe o avanço de Keno, até o momento do flagrante acima. Nesse momento, Amaral que deveria estar marcando o adversário ao seu lado tenta fechar o campo de visão de Keno. Lembram da frase acima “um erro vai desencadeando outro”? Pois é, Domingues não deu a pressão necessária em Keno, Amaral teve que tentar ajudar e por último, Diego Renan tentou fazer uma linha de impedimento quando Grafite partiria de trás do próprio Diego Renan.

O Vitória possui problemas, do sistema defensivo ao ofensivo, porém, vejo como primordial a arrumação do defensivo. Não tomar gol é tão importante quanto fazer os gols. Ter uma defesa sólida, irá encorpar o time para buscar o gol na frente.

Mancini até tentou fazer isso alterando o sistema, porém sem jogadores comprometidos, ele não terá êxito. O primeiro passo é escalar atletas que vão se doar e cumprir o que é pedido dentro de campo. Não adianta fazer o que foi trabalhado por apenas 15 ou 20 minutos, pois o jogo tem 90 minutos de duração.

Na segunda etapa, o treinador rubro-negro promoveu as entradas de William Henrique e David nas pontas e centralizou T. Real, retornando ao 4-3-3 (4-1-2-3), já que com a posse, Marcelo saia para ajudar na criação. A equipe ganhou um fôlego a mais, principalmente com o gol de Kieza, porém Fernando Gabriel tratou de por fim a reação do Leão, aproveitando mais uma jogada de Keno pela ponta esquerda e o escorregão de Ramon no miolo da zaga. O quarto gol de Keno em cobrança de pênalti, após sua própria jogada, deu números finais ao jogo.

O técnico Vagner Mancini não pode desistir. Vejo com bons olhos a mudança de esquema em momento defensivo. É necessário corrigir os erros e tentar extrair o máximo de cada jogador enquanto os reforços não aparecem. Assim como no último texto, deixo mais um aviso à diretoria do Vitória. Se não reforçar o elenco, a equipe tende a sofrer muito mais na Série A.

Autor: Cássio Santos

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