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A segunda derrota colorada na temporada veio, e de uma forma que os torcedores não gostaram nenhum pouco de ver. O que se viu no campo do Barradão foi um time apático, indisciplinado, cometendo diversas falhas em todas as fases do jogo. Um time que foi refém novamente de uma marcação bem feita e que não soube lidar defendendo um esquema com três atacantes.

O Inter entrou na partida com a expectativa de poder jogar do modo com o qual se sente mais confortável: reagindo ao jogo. Argel mais uma vez foi a campo com o 4–2–3–1 como posicionamento inicial, com Gustavo Ferrareis pela direita, Andrigo no centro e Sasha na esquerda, com os três e mais Vitinho trocando bastante de posições. O treinador não pôde contar com Fabinho desta vez, que sofreu um entorse no tornozelo contra o Atlético-PR e foi preservado. Anselmo foi o escolhido para assumir o posto.

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O 4–2–3–1 colorado para encarar o Vitória.

Entretanto, a proposta de reagir ao jogo caiu por terra logo aos 3 minutos de partida, em uma falha tanto do sistema colorado quanto individual de Ernando. O zagueiro colorado recebe a bola e não encontra opções de passe próximas a frente dele. Ao lado, havia Paulão e Artur, mas ambos estavam sendo cobertos por Marinho e Dagoberto.

Ao tentar manter a posse, Ernando sofre pressão de Kieza nas proximidades da grande área e perde a bola. Danilo Fernandes ainda tenta salvar, mas Marinho, livre, conclui com categoria para o gol desprotegido. Linhas distantes, falta de aproximação (por consequência, ausência de linhas de passe fáceis) e tomada de decisão errada foram fatores cruciais para que o Inter estivesse em desvantagem logo cedo.

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O lance do gol do Vitória: pressão no adversário e intensidade que deram resultado em cima de um sistema falho e provocaram falha individual.

Com o pesadelo de precisar propor o jogo, o Inter não encontrou caminhos para abrir espaços e trabalhar as jogadas. Mesmo quando a marcação do Vitória era “folgada”, os meias não recuavam para receber a bola e, com isso, se formava um espaço vazio enorme no terço central, onde volantes e zagueiros não encontravam opções e mais uma vez somente as laterais eram escape. Desta forma, a transição era lenta e possibilitava a pressão na bola dos baianos. A ligação direta também foi usada excessivamente, já que não se conseguia construir com a bola no chão.

A única boa jogada trabalhada colorada veio somente no segundo tempo, em um lance que a bola circulou da esquerda para a direita, contou com o deslocamento de Andrigo na diagonal para puxar a marcação e abrir espaço, e assim, William entrar livre nas costas da linha de defesa após receber passe de Jair para concluir. Lance de perigo, mas foi a única chance construída com jogo coletivo.

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Com opções de passe próximas, movimentação e participação de vários jogadores independentemente da posição na fase ofensiva, o Inter criou problemas para a defesa do vitória. Pena para o torcedor colorado que isso foi algo isolado na partida…

Outro defeito ofensivo foi a escassez de chutes de média e longa distância contra a meta de Fernando Miguel. O goleiro rubro-negro já provou neste Brasileirão e até mesmo na própria partida contra o Inter que não é seguro. Arriscar era preciso para tirar a desvantagem, e não se viu quase ninguém — exceto Alex, também na segunda etapa — tentar isso.

Na fase defensiva, o Inter novamente se postava com duas linhas de quatro em bloco médio/baixo. Porém, ora executava o 4–1–4–1 e, mais predominantemente, o 4–4–2, com Andrigo e Vitinho sendo os responsáveis por fazer a primeira pressão e Sasha e Ferrareis recuando para ficar ao lado de Anselmo e Fernando Bob.

Apesar da consistência já mostrada nas partidas anteriores, a partida contra o Vitória foi a que o Inter mais foi ameaçado. Os baianos empilharam chances claras de gol e diversas vezes passaram perto de ampliar o marcador. Trabalhando com encaixes individuais, a defesa colorada ficou perdida contra um esquema com três atacantes. As ultrapassagens dos laterais do time de Vágner Mancini criavam problemas, assim como a movimentação dos pontas. Várias vezes as costas de Artur e William foram exploradas, e chances perigosas foram criadas por ali, como no lance a seguir.

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Marinho recebe a bola entre as linhas coloradas e aguarda a ultrapassagem de Norberto, que vai até a linha de fundo e cruza. Dagoberto (camisa 22 vermelho e preto ao lado esquerdo da imagem) concluiu o lance na trave de Danilo Fernandes.

Agora, o Inter faz o primeiro de seus dois jogos em casa em sequência contra o América-MG, um dos piores times do campeonato até aqui. Porém, o Coelho entra na partida com o recém chegado (e bom treinador) Sérgio Vieira, que fez um ótimo trabalho com a Ferroviária no Paulistão. O Inter, por sua vez, vai para o jogo sem Paulão, Sasha e Anselmo, que receberam o terceiro cartão amarelo na última rodada. Não deveria, mas será uma prova de fogo para a equipe colorada, que precisará muito que seu limitado banco de reservas faça uma boa atuação.

Estatísticas

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Autor: Dimitri Barcellos

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