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Análise Tática: Confiança 3×5 Remo – Série C 2016

Quinta partida na Série C, a terceira fora de casa. De 9 pontos disputados longe de nossos domínios, conquistamos 7. Ótimo aproveitamento, muito por causa do estilo de Marcelo Veiga: pressionar alto no início das partidas para conseguir um gol, recuar todas as linhas da equipe e utilizar a eficiência nos contra-ataques para garantir os pontos. Temos maior facilidade para jogar fora de casa pela desobrigação de sempre propor o jogo.

Para encarar o Confiança, a estrutura posicional da equipe foi a mesma que já vinha sendo utilizada. Veiga não gosta de mudar o time, acredita em uma escalação-padrão e fomenta as potencialidades. Com a estreia de Patrick, a equipe manteve-se no 4–2–3–1, com Allan Dias à direita, Patrick à esquerda e Eduardo Ramos centralizado na linha de três. Edno, novamente, foi o centroavante.

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Posicionamento inicial do Remo contra o Confiança

Nessa linha de três, Veiga tem utilizado dois meias (Eduardo Ramos e Allan Dias), um centralizado e um pela direita, caindo por dentro para abrir o corredor lateral para os avanços de Levy buscando a linha de fundo. Por diversas vezes a amplitude é gerada pelo lateral azulino, fazendo com que a ida de Allan Dias para o corredor central facilite as tabelas com Eduardo Ramos, crie superioridade no meio, busca pela melhor utilização das entrelinhas do adversário e confunda os encaixes individuais da marcação.

Em diversos momentos no jogo de ontem foi possível ver Allan Dias arrastando Assis para o centro e deixando caminho livre para Levy. A cobertura falha do Confiança permitiu inúmeros cruzamentos, chances e finalizações, sobretudo no primeiro tempo. O primeiro e segundo gols do Remo mostram exatamente a liberdade do lateral e boa ocupação central de Allan Dias.

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Movimentação de Allan Dias atraindo Assis e abrindo o corredor para a subida de Levy. Buraco entrelinhas facilitou a troca de passes na intermediária ofensiva.

A concretização deste padrão de movimentação em ação ofensiva ontem pôde ser visto no segundo gol: abre-se um buraco entre zagueiros e volantes no meio da área, muito bem ocupado pelo correto posicionamento de Allan Dias.

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Os encaixes individuais buscavam pressionar o portador da bola a partir da intermediária defensiva. Hamilton era responsável por Eduardo Ramos, mas com a movimentação conjunta de Allan Dias e Levy confundindo Assis e Cascata, muitas vezes havia 2 contra 1 no meio, o que permitia espaços e deixava um jogador do Remo livre. A falta de acompanhamento dos laterais por parte dos pontas também foi preponderante para essa superioridade numérica nos lados do campo.

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Tudo isso comprova que os desmarques de apoio têm acontecido com eficiência nas entrelinhas e o desmarque de ruptura de Levy tem sido a válvula de escape para quebrar a defesa adversária como visitante. Alargar o campo, sabendo das perseguições individuais longas que acontecem na Série C vem sendo um dos padrões ofensivos mais eficientes do Remo. Lembrando que esses princípios aparecem corretamente efetuados fora de casa.

Até o momento não falamos do lado esquerdo. Fabiano cumpriu bem seu papel tático de resguardar o equilíbrio defensivo com as constantes subidas de Levy pela direita e Patrick, o estreante da noite, foi discreto, segurando as investidas de Caíque e prendendo o lateral-direito do Confiança quando em ação ofensiva.

Entretanto, nem tudo são flores. Marcelo Veiga insiste em tirar um dos extremos para a entrada de um volante para segurar o resultado. Ontem foi Chicão o escolhido. O problema é que essa estratégia precisa ser melhor treinada. Em tese, Chicão entrou para brecar os avanços de Assis pela esquerda, mas acabou ocupando diversas vezes a frente da zaga, com Schmöller e Yuri. Isso gerava uma situação de inferioridade numérica com Levy na direita tendo que combater Assis e Orobó que se associavam para gerar cruzamentos e jogadas ofensivas.

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Chicão centralizava muito e deixava Levy sozinho tendo que marcar Assis e Orobó.

Outra questão que precisa ser melhor treinada é a participação dos volantes na construção dos ataques. Yuri e Schmöller, por orientação do treinador, ficam extremamente posicionais no equilíbrio, muitas vezes desnecessariamente. Ontem, com a notória deficiência do pior time do grupo A, isso não fez falta, mas no momento de propor o jogo dentro de casa, essa dupla incrementaria o meio e geraria mais opções de passes.

A dificuldade na hora de propor segue sendo nosso calcanhar de aquiles, muito por causa dos adversários que se fecham bastante em Belém, mas também pela falta de ideias e criatividade para achar espaços e oferecer opções. Atacar com 5 acaba sendo uma debilidade ofensiva gritante ainda não enxergada por Veiga.

Recuar o time é uma estratégia válida, mas o cuidado com o posicionamento da equipe necessita de maior atenção fora de casa. Tomamos dois gols bestas por erros coletivos de ocupação de espaços. Poderia ter custado caro, bem como poderia ter custado caro contra o River-PI na terceira rodada. Tivemos competência e efetividade na marcação dos gols, mas ainda nos falta juízo atuando longe de Belém.

Autor: Caíque da Silva

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