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Análise Tática: Botafogo-PB 2×0 Remo – Série C 2016

Era um jogo para o Remo alcançar a liderança de maneira definitiva. O adversário era forte, mas a sequência positiva dava crédito e confiança na conquista do resultado positivo. Entretanto, nada saiu como esperado, com nossos jogadores apáticos, tomando decisões equivocadas e com o Botafogo-PB neutralizando todas as nossas (poucas) tentativas. O desentrosamento da zaga também contribuiu para a derrota, com espaços demasiados e falhas nas coberturas defensivas.

Waldemar Lemos escalou uma zaga praticamente toda reserva, devido à lesões e suspensão, atrapalhando o entrosamento e ruindo a solidez defensiva dos últimos jogos. A ideia com a entrada de Murilo era resguardar a defesa, porém, mostrou-se equivocada, por mais que a intenção tenha sido boa. Foi equivocada porque não houve coordenação nem treinamentos que emergissem essas situações, além de perder a segurança de Levy na lateralização do jogo.

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Configurações iniciais de Botafogo-PB x Remo

Além dos méritos do Botafogo-PB, surpreendeu negativamente a apatia com que jogamos a partida. Tivemos problemas em todas as fases do jogo, não construindo nem destruindo e nos tornando reféns das decisões impostas pelo adversário. Postura essa que foi recrudescida pelo desentrosamento, falta de movimentação e o aspecto cognitivo aquém do apresentado nos últimos jogos.

Com a entrada de Murilo para desempenhar uma função de lateral muito defensivo, nossa saída de bola foi prejudicada pela falta de desafogo. Levy, que atuou como extremo, recuava para suprir a carência da lateralização pela direita, o que desocupava espaço no corredor lateral no campo de ataque, prejudicando triangulações e superioridade pelos lados, fazendo com que os zagueiros fizessem uso de ligações diretas, cedendo rapidamente a posse ao oponente. A marcação dos dois volantes por parte dos atacantes também foi preponderante para nossa falta de repertório na primeira fase da organização ofensiva.

Volantes marcados, espaço deixado à frente pelo recuo de Levy e falta de movimentação para que as linhas de passe aparecessem dificultaram a saída de jogo do Remo. As ligações em direção a Edno eram as únicas opções para retirar a bola da pressão.

Volantes marcados, espaço deixado à frente pelo recuo de Levy e falta de movimentação para que as linhas de passe aparecessem dificultaram a saída de jogo do Remo. As ligações em direção a Edno eram as únicas opções para retirar a bola da pressão.

Levy jogar como extremo não é um problema, mas a falta de treinamentos suficientes prejudicam a operacionalização e, consequentemente, a atuação coletiva. E isso, em momento defensivo, foi primordial. A recomposição falhou, bem como as coberturas, o que gerava um “cinturão” à frente, com os dois volantes entre as duas linhas de quatro.

Esta estrutura esvaziou o meio-campo e foi um convite para que o Botafogo-PB se sentisse à vontade, principalmente com os avanços dos volantes. Yuri e Schmöller ficaram sobrecarregados, não conseguindo combater a sequência de ações, fazendo com que a zaga ficasse exposta e em 1 x 1 sempre. Pedro Castro, Marcinho, Val, etc., movimentavam-se e não tinham o acompanhamento dos extremos e volantes, tendo total liberdade para avançarem. Reflexo disso foi o primeiro gol, com o jogador paraibano conduzindo livremente a bola antes de finalizar.

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Cinturão formado à frente deixava o time em um 4–2–4, esvaziando o meio-campo e sobrecarregando os volantes. Não houve recomposição nem coberturas defensivas, expondo a zaga ao 1 x 1 em praticamente todos os momentos.

Com características defensivas, Murilo apoiou pouco o ataque, juntamente com os raros avanços dos volantes, diminuíram a densidade do Remo em momento ofensivo. Os avanços dos laterais são fundamentais para a superioridade nos lados do campo tão preconizada no nosso modelo de jogo, quando não há esse avanço, ficamos dependentes, previsíveis e em inferioridade numérica.

Murilo não apoiava e Saci ataca por dentro, tirando a capacidade de ultrapassagem e limitando a amplitude. Como não houve mobilidade, o adversário sempre tinha mais jogadores nos setores médio-defensivo e defensivo, bloqueando e retardando qualquer ação ofensiva por parte dos azulinos.

Pouca densidade, equipe espaçada, nulos avanços dos laterais, poucos princípios ofensivos… Acúmulo de erros em ação ofensiva fez com que não criássemos praticamente nada e fôssemos bloqueados em qualquer tentativa de ataque posicional.

Pouca densidade, equipe espaçada, nulos avanços dos laterais, poucos princípios ofensivos… Acúmulo de erros em ação ofensiva fez com que não criássemos praticamente nada e fôssemos bloqueados em qualquer tentativa de ataque posicional.

Botafogo-PB defendia-se com 8 jogadores e Remo atacava com 4. Impossível criar algo neste cenário. Faltou apoio e compactação ofensiva. Superioridade dos paraibanos em todo o campo defensivo.

Botafogo-PB defendia-se com 8 jogadores e Remo atacava com 4. Impossível criar algo neste cenário. Faltou apoio e compactação ofensiva. Superioridade dos paraibanos em todo o campo defensivo.

“Cinturão”, descompactação, falta de apoios, coberturas, enfim, os erros foram muitos, a começar pela estratégia equivocada para uma partida fora de casa. O desempenho abaixo foi motivado também pela grande atuação do adversário, mas facilitado pela nossa apatia e nula execução dos princípios do modelo. O padrão existe e não foi visto sábado, podendo retornar na próxima partida.

Entretanto, apatia não pode haver. Waldemar errou? Errou. A equipe se perdeu pela escolha do treinador, mas apatia não tem nada a ver com estratégia. A combatividade não foi a mesma, intensidade baixíssima, corremos errado em diversos momentos e isso prejudicou nosso condicionamento físico, onde demonstramos visível cansaço coletivo no segundo tempo.

Fomos beneficiados pelos outros resultados e nos mantivemos no G4, só que não dá para contar com a sorte sempre. Precisamos tirar duas lições: a da estratégia sem o devido treinamento e a apatia. Nosso padrão retornará a partir da correção do que houve contra o Botafogo-PB, se soubermos identificar e sabermos como resolver, coisa que Waldemar Lemos já demonstrou que sabe fazer.

Autor: Caíque da Silva

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